Milhares de anos depois, o DNA do cão moderno ainda é 99,9% idêntico ao do lobo-cinzento (Canis lupus).
Essa semelhança genética não é apenas simbólica — é fisiológica.
O cão continua sendo um carnívoro facultativo, ou seja, seu corpo foi feito para digerir carne, gordura e ossos crus, com capacidade limitada de aproveitar vegetais.
Já o gato continua sendo um carnívoro estrito, incapaz de sobreviver sem nutrientes de origem animal.
A dentição é um reflexo dessa biologia.
Os dentes afiados e pontiagudos servem para rasgar carne, não para triturar grãos.
A mandíbula se move apenas para cima e para baixo, sem o movimento lateral típico dos herbívoros.
O estômago é extremamente ácido — com pH entre 1 e 2 — capaz de dissolver ossos e eliminar bactérias presentes em presas cruas.
O intestino é curto, desenhado para processar proteínas e gorduras rapidamente, não para fermentar fibras vegetais.
Essas características permanecem porque funcionam. A biologia não evolui para se adaptar a rações; evolui para preservar a vida.
Cães e gatos não precisam de carboidratos.
Não há exigência mínima desse nutriente em nenhuma recomendação científica de órgãos como o National Research Council (NRC).